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Eu no Espelho - Dia Nacional do Escritor

Não deixei o Dia Nacional do Escritor passar em branco... Talvez apenas o tenha deixado passar em preto e branco. Afinal, a folha de photobooth que acompanha esta publicação não é um exercício de vaidade, tampouco uma tentativa de provar que um escritor pode fazer dezesseis caretas diferentes diante de uma câmera. É, antes de tudo, uma pequena confissão. Ontem, 25 de julho, celebramos o Dia Nacional do Escritor . Hoje, resolvi comemorar a data mostrando um pouco daquilo que raramente aparece nas fotografias de divulgação de um livro: a estranha multidão que habita um único autor. Durante muito tempo me perguntaram por que assino obras com nomes diferentes. Alguns imaginam estratégia de mercado; outros, mero capricho estético. A verdade é menos simples e muito mais divertida. Vital Sousa é quem organiza o pensamento, estrutura projetos, pesquisa, estuda e procura dar coerência às ideias. Tonny Aguiar prefere a narrativa, as crônicas, o romance, os personagens que caminham entre o abs...
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JULHO DAS PRETAS - CARTOGRAFIAS DO INVISÍVEL - O que não se vê também desenha o mundo.

O EVENTO JULHO DAS PRETAS Ancestralidade, Resistência e Futuro Celebrar o Julho das Pretas é reconhecer que a história do Brasil também foi escrita pelas mãos, pela coragem e pela inteligência de mulheres negras que transformaram a resistência em possibilidade de futuro. Entre elas, destaca-se Tereza de Benguela , líder do Quilombo do Quariterê, símbolo da luta pela liberdade, pela autonomia e pela organização coletiva. Sua trajetória ultrapassa os limites da memória histórica para tornar-se inspiração permanente às mulheres que, ainda hoje, seguem preservando territórios, culturas, saberes e modos de existir. É sob essa inspiração que o Quilombo Mundo Novo , por meio do Coletivo de Mulheres Quilombolas As Kandaces e do Movimento Jovens Quilombolas , realiza mais uma edição do Julho das Pretas , no Espaço Território Vivo . Muito mais do que um calendário comemorativo, o evento constitui um encontro entre gerações, no qual memória e presente dialogam através da arte, da formação, da c...

Amarelo Dourado

Entre todas as obras da exposição Cartografias do Invisível , Amarelo Dourado talvez seja aquela em que Wirveng Nathan demonstra maior maturidade na construção do símbolo. O artista abandona qualquer preocupação em reproduzir fielmente uma flor e concentra seus esforços na elaboração de uma imagem que existe muito mais como ideia do que como representação da realidade. A escolha de um fundo negro absoluto elimina qualquer referência espacial, fazendo com que a flor pareça suspensa entre a terra e o cosmos. Ao seu redor, pequenas formas rosadas rompem a lógica botânica e assumem uma dimensão quase astral, sugerindo sementes, pólen, estrelas ou fragmentos de memória. A composição é rigorosamente econômica: poucos elementos, organizados com equilíbrio, sustentam uma narrativa visual de enorme densidade simbólica. O aspecto mais instigante da obra, contudo, reside na relação entre seu título e sua imagem. Nathan chama a tela de Amarelo Dourado , mas praticamente recusa a presença do dou...

Luar Cintilante

Há paisagens que pertencem menos à geografia do que à memória afetiva. Em Luar Cintilante , Wirveng Nathan constrói uma cena de extraordinária delicadeza utilizando uma paleta reduzida, poucos elementos compositivos e uma economia de pinceladas que amplia, em vez de limitar, a potência expressiva da obra. Nada parece excessivo; cada cor, cada espaço de silêncio e cada gesto do pincel encontram sua medida exata. O horizonte baixo entrega protagonismo ao céu profundo, onde uma discreta lua crescente anuncia o tempo dos recomeços. Ao centro da composição, uma árvore de flores rosadas rompe a serenidade da paisagem sem romper o seu silêncio. Ela não se impõe pela grandiosidade, mas pela delicadeza de sua presença, tornando-se um eixo simbólico entre a terra escurecida e a imensidão azul que a envolve. O contraste entre os tons frios do céu e os matizes quentes das flores produz uma tensão poética que transforma a simplicidade da cena em emoção. As pequenas manchas rosadas espalhadas pelo ...

Inabalável

Se nas obras anteriores de Cartografias do Invisível , Wirveng Nathan parecia investigar os territórios da memória, do feminino e dos afetos através de símbolos abertos à contemplação, em Inabalável ele atravessa uma fronteira estética e emocional. Aqui não há metáfora que procure suavizar a dor. O símbolo é direto, quase brutal. E, paradoxalmente, é justamente dessa brutalidade que emerge o lirismo da obra. Nathan abandona qualquer tentativa de suavizar a experiência humana e conduz o observador ao núcleo de uma das questões mais universais da existência: a permanência da essência diante da ferida. Um coração envolto por arames farpados sangra no centro da composição, transformando-se em metáfora dos relacionamentos que deixam marcas profundas sem, contudo, destruir aquilo que somos. A economia cromática intensifica a potência simbólica da obra. O vermelho expõe a vulnerabilidade, o preto anuncia a presença da dor e o branco cria um espaço de suspensão onde a narrativa emocional se d...

Confluência

Em Confluência , Wirveng Nathan transforma a paisagem em símbolo. Uma cachoeira emerge do centro da composição e se derrama sobre um espelho d'água dominado por tonalidades de azul, estabelecendo um percurso visual que conduz o olhar da origem ao movimento, da nascente ao fluxo. A aparente simplicidade formal revela uma pintura construída por síntese, onde cada elemento existe menos pela descrição da realidade e mais pela potência de sua evocação. O que chama atenção é que Nathan não busca o realismo da cena. Sua pintura opera por síntese. As árvores são sugeridas, a barragem é apenas insinuada e a água assume um protagonismo quase abstrato. Essa economia de detalhes aproxima a obra da tradição naïf, enquanto o tratamento da luz sobre a superfície líquida e a vibração cromática do azul evocam procedimentos impressionistas. Ao mesmo tempo, a centralidade simbólica da queda d'água desloca a pintura para um território contemporâneo, onde a imagem vale menos pelo que representa ...

Entre Flores e Marés

Entre Flores e Marés é uma criação posterior À primeira visita ao mar. Wiveng Nathan retorna para casa carregando mais do que lembranças. Traz consigo uma nova paisagem interior. Nesta obra, o artista reúne dois universos que até então existiam separados em sua experiência de vida: o campo onde cresceu e o mar que o encantou. As pequenas flores brancas que ocupam o primeiro plano são elementos familiares de seu cotidiano rural. O horizonte azul profundo, por sua vez, remete à imensidão marítima que despertou sua imaginação. Entre esses territórios surgem pássaros em voo e um balão solitário, símbolos recorrentes da liberdade, da descoberta e do desejo de ultrapassar limites. A simplicidade formal, característica da produção de Nathan , não reduz a potência da imagem. Pelo contrário. A ausência de preocupação com a perspectiva acadêmica ou com a representação naturalista permite que a narrativa afetiva ocupe o centro da experiência estética. As flores não estão diante do mar; elas coe...